27/06/2014

Arte e fumaça, explanando geral!

Muita gente ainda torce o nariz quando o assunto é maconha (inocentes). Outros, nem querem saber (mais inocentes ainda) mas em contrapartida, muita informação é gerada nos dias de hoje, pra acabar com a ignorância generalizada, herança da falida guerra às drogas. Falando em informação, só nesta semana, colaborei com dois nomes da cena canábica carioca: o Jornal Canábico e a Revista Maconha Brasil. 

 

Marcha da Maconha do Rio de Janeiro 2014

A rapaziada do JC já havia me pedido um cenário algum tempo atrás, e finalmente saiu, no sábado passado. Passei mais de 1 hora no buzum,  pra ficar diante da melhor vista do Rio de Janeiro e algumas quadras depois, cheguei no estúdio. Fizemos a cabeça enquanto acertávamos os últimos detalhes pra pintura e munido de 10 latas e alguns stencils com a folha da maconha, fiz uma arte 100% freestyle numa parede virgem, enquanto tudo era registrado pela câmera do JC. Depois da larica, a noite veio e tive que arrematar a arte com a luz acesa. O resultado agradou a todos e surpreendeu ainda mais quando apagamos a luz. Só estando lá pra entender o que vimos. 

Baixe o wallpaper da parede toda 1680x1050 px:
http://www.mediafire.com/view/txqcmp3ay0ep52y/PXE_JC4.jpg


Abro o Comentando os Comentários de Junho e o JC estréia o novo cenário

A história da MACONHA (como muitos carinhosamente chamam a Revista Maconha Brasil) desenrolou num bate-papo durante o coquetel de lançamento da edição #1. Um dos editores da revista me pediu uma ilustração que mostrasse alguém cheio de idéias só de ler a revista, “a mesma chapação criativa despertada pela erva”, perguntei.

 Torrando com Tomazine #121 - lançamento da revista



Tirei uma foto minha de referência, mas só aproveitei a expressão/enquadramento e viajei no nonsense desde o começo, usando as luvas do Mickey no lugar das mãos (as roupas do Bob Esponja cairam como uma luva, mostrando o corpo inteiro do personagem e só vieram no layout final). O black power me fez lembrar de um personagem dos lendários Harlem Globetrotters e assim objetos de universos distintos, começaram a brotar da cabeleira de um cidadão inspirado ao ler a MACONHA. A escova de dentes foi incluída  porque além de ser importante na higiene pessoal, tinha a forma perfeita para preencher aquele espaço.



PXE x Slightly Stoopid

A Slightly Stoopid passou por aqui em maio e a convite de Zack (ou DJ Z), um amigo e fã de carteirinha da banda, fiz a arte do poster da mini tour brasileira. Como eu só conhecia um ou outro som, entrei no slightlystoopid.com e ouvi todos os discos. Um mês depois, Z trouxe toda a discografia dos caras (7 cds) e passei a semana inteira ouvindo a SS. Logo surgiu o concurso de estampas pra SummerSessions (uma turnê cheia de convidados de peso - StephenMarley, CypressHill e NOFX) com direito a um prêmio de 750 doletas e 2 ingressos.

Não me empolguei em participar inicialmente mas conferindo o nível das estampas apresentadas, vi que tinha alguma chance e voltei a ouvir aquela bateria de cds para criar uma estampa redonda, fechada com o conceito da banda. Já tinha percebido antes, mas foi nessa vez que me liguei que os caras tinham várias músicas falando sobre maconha, do primeiro ao último disco lançado. Isso me fez lembrar a quantidade de artistas que já falaram sobre o assunto abertamente, usando sua música pra espalhar uma imagem positiva da erva. Bob Marley, Ziggy Marley, Slightly Stoopid, Cypress Hill, Peter Tosh, Planet Hemp, Nação Zumbi, Marcelo D2, Sublime, Oriente, Cone Crew Diretoria, Cacife Clandestino, Ayahuasca, Cidade Verde, Mateus Pingüim, Camaradas Camarão, Seiva Roxa, Manu Chao e por aí vai...


SYSTEM
Brasil X JAMAICA!

O meu primeiro contato com a erva foi em SaQuarema, no começo dos anos 90, aos 17/18 anos. Fui surfar em Itaúna com os amigos e ao sair da água, me deparei com uma sereia deitadinha na areia. Trocamos uma idéia rápida e combinamos de encontrar na praia, para a queima de fogos. Exatamente à meia-noite, ela apareceu e nos beijamos pela primeira vez. Depois de um rala e rola básico na areia, voltamos pra encontrar a família dela. Um primo se juntou a nós e trouxe consigo um baseado molhado, trazido clandestinamente no carro do pai. Fomos pro Mauna Loa, um bar tradicional de Itaúna. Chegando lá, ficamos na praia e eles perderam um bom tempo tentando acender esse baseado molhado numa fogueira gigante, sem sucesso. Como eu não fumava maconha, não compreendi o sofrimento deles (rs) e a primeira vez foi adiada pro meu aniversário de 19 anos. Fumei pouquíssimas vezes durante a faculdade, mas fumei no clássico “bosque” e noutros lugares e ocasiões especiais, moderadamente. Só aos 32 virei maconheiro de verdade, aproveitando pra aposentar de vez velhos hábitos como beber álcool e refrigerante, comer carne e fast/junk food, etc. Comecei a freqüentar a Marcha da Maconha a partir de 2010 e desde então, tenho militado mais ativamente em prol da legalização dessa erva medicinal milenar, equivocadamente mal vista/interpretada nos últimos 70 anos.



Curti minha adolescência sem fumar maconha e acho que ela não fez falta alguma. Mas hoje, aos 40 anos, me sinto bem à vontade quando uso e mesmo sabendo que ela aguça minha criatividade, espero a inspiração surgir naturalmente.

Algum gnomo certamente sumiu com minha seda enquanto me dedicava a estas linhas, então vou aproveitar pra finalizar esse papo, parafraseando Pepe Mujica, presidente do Uruguai, primeiro país a legalizar totalmente a maconha.

“As drogas não são boas pra ninguém, mas é preciso legalizá-las”




O universo da MACONHA é infinito....

Esqueci de alguém?


Gaviotas (ou gaivotas). O último PXE nas ruas...
Baixe o wallpaper:
http://www.mediafire.com/view/sdemm1zhiczok1e/PXE_gaviotas_1680x1050.jpg



20/05/2014

Desmascarando um gigante global

A história dessa arte começa muito antes de existir uma parede. Enquanto a obra rolava, um tapume preto cobria tudo. Lancei um graff que ficou até o fim, dando lugar a uma parede que não existia antes e que na minha visão, se tratava de um novo suporte para minha arte.


Algum tempo depois, descobri que aquele espaço se tratava de uma loja da Nike, ou um “Nike Space”, como canta o grande cantor/compositor/filósofo pernambucano Fred 04. Podia ser até da Nasa, eu ia pintar de qualquer jeito! Passei algumas horas antes de partir com as tintas e descobri uma “escolta armada”, encostada na parede. Não entendi o porquê daquilo tudo, mas adiei a pintura por um tempo, sabendo que a escolta não saía de lá à noite, independente do dia. Deixei de lado...

No Dia das Mães, passei ali por volta de meio-dia em direção à feira. Quando vi que a escolta não estava por lá, me apressei pra voltar naquela parede o mais rápido possível.

 

Por volta das 16:20, dei início à arte “O guapuruvu”, pela 4ª vez nas ruas. Utilizando rolinho e latéx, fiz a base pro spray. Nada da escolta, enquanto um ou outro parava pra ver, falar algo e fotografar. Três horas depois, já sem luz, passei em casa pra comer algo e pegar mais tinta. Voltando, a uns 100 metros do Nike Space, já conseguia ver o “bico” do carro, estacionado ao lado da parede.


No dia seguinte, passei na loja pra falar com o gerente. Fui atendido por outra pessoa e acabei mostrando o graffiti pra ele, que não havia notado ainda. Falei de mim e do meu trabalho, mostrei algumas artes minhas que havia fotografado indo pra lá. Ele até elogiou, mas disse que não poderia me autorizar, então saquei uma filipeta onde anotei as hashtags usadas pela Nike nos últimos dias (#Ouseserbrasileiro, #Arrisquetudo, #Arteataque) e falei:

  “Ousei ser brasileiro, arrisquei tudo e fiz um arte ataque aqui. Só fiz o que a Nike prega!”

Ele me olhou com um sorriso meio amarelo e disse que não era o gerente. Entramos de novo pra que eu pudesse falar com o verdadeiro gerente, mas ele seria entrevistado e logo viria a hora do almoço, etc. Preferi ir à praia e deixei pra resolver o assunto no domingo seguinte. Voltando à feira, encontrei a escolta lá desde cedo e minha arte, praticamente apagada, como se tivessem lixado a parede.

Uns dez dias antes, a própria Nike promoveu o evento #ArteAtaque, reunindo duplas de grafiteiros para pintar o Terreirão do Samba com o tema Samba x Futebol, com ampla distribuição de latas (100 por dupla) e premiação de R$ 5000.

Não estou revoltado por terem apagado minha arte, porque sei que isso faz parte do jogo. Mas ao mesmo tempo, consegui descobrir na prática que a Nike é uma empresa tão engessada quanto à padaria do Seu Manoel da esquina e que seus slogans inspiradores forjados a milhões de dólares por criativos, não refletem a atitude de seus donos e representantes.

Quando a loja fechar/acabar, eu volto pra lançar minha arte! Enquanto isso, divirta-se com o mais novo vídeo do PXE e a trilha sonora mais que perfeita de Mundo Livre S/A.


 Agradecimentos especiais a Mundo Livre S/A.


21/04/2014

PXE no MIS Copacabana - testando a credibilidade do decreto do Graffiti #PXENOMIS

Acordei cedo no domingo de Páscoa disposto a pintar uma parede em Copa, sabendo que o estabelecimento mais próximo estaria fechado. Fui dar uma olhada antes e constatei que tudo estava aberto e desta forma, a probabilidade de ser impedido seria grande. Continuei andando até a praia e de longe, já avistei o escritório do MIS, aquele "barracão" roxo e lilás no meio da calçada. Taí um lugar que eu estava afim de pintar faz tempo e já tinha comentado isso com o ACME, na última vez que o vi. Saquei a parede de perto e já fui pra casa pegar as tintas. Quando voltei carregado com as latas, escada e todo equipamento na mão, já não me sentia tão tranquilo quanto antes. Dobrei a esquina e fui direto pra parede, encostei a escada e aproveitando a única sombra a uns 5 metros de distância, posicionei minha câmera.



Liguei e comecei a jogar o latéx na frente da lente. Tirei uma foto da parede ainda virgem e fui em sua direção com rolinho e bandeja na mão. Decidi desenhar apenas parte de uma arte recente, um pássaro que vejo bastante na Lagoa. Comecei por baixo, mas acabei logo subindo a escada pra ver até onde eu podia ir.


"Dois Zoin" by PXE
Baixe a versão A4 AQUI!

Os três primeiros minutos foram bons pra esquecer do mundo, mas o desenho era um borrão só...rs. Comecei a usar o spray, depois usei o rolinho pra acertar e acabei tomando quase toda a superfície roxa de branco, pra voltar no spray e lançar o rabisco definitivo. Saí de casa ainda nublado e nesta altura do campeonato, derretia de camisa preta sob o Sol escaldante.


 Gastei uma hora lá, deixando a arte pronta em preto e branco. A primeira parte da missão já tinha sido cumprida e por incrível que pareça, ninguém veio falar comigo.


Empolgado com tal façanha, perdi algumas horas criando um vídeo teaser. A demora pro almoço foi recompensada pela melhor lasanha da minha vida, com gostinho de vitória.


Acabei sequelando no horário e só voltei à noite, dando os toques finais no escuro, porque a luz mais próxima encontrava-se apagada. Já tava bonito, mas eu sabia que ainda tinha o que fazer e deixei pra voltar no outro dia...

Acordei cedo na segunda, tomei um café rápido e já fui pra parede. Quando dobrei a esquina, vi um carro parado bem na frente do graff. Como havia espaço pra colocar a escada, nem esquentei. Comecei a rabiscar com o pilot e logo surgiu um carão no portão ao lado. Dez segundos depois, veio o segurança com aquela ladainha de sempre sobre autorização. Falei que tava autorizado pela lei já que o barracão do MIS não era um patrimônio histórico. Visivelmente revoltado mas ainda gentil, o segurança me pediu pra descer da escada. Não consegui convencê-lo a fazer meus retoques e ainda ouvi do próprio que meu graff seria apagado. Acabei não tirando nenhuma foto boa por causa do carro, mas sem me abalar, voltei pra casa.

Depois do almoço, encontrei uma rapaziada mexendo no carro e pedi que chegassem alguns metros pra frente, me dando a chance de pelo menos fazer a foto. Troquei idéia com a galera da obra que estava por lá, fui parabenizado e fiz a foto que precisava. A verdade é que todo mundo curtiu, menos o segurança (outro), que falou que eu tinha que ter pedido autorização, blá blá, blá...Com os pilots na mochila, discretamente aproveitei pra lançar a data e hashtag #PXENOMIS

Voltei à noite, portando os pilots e fiz os últimos acertos, subindo direto na muretinha.


Além da adrenalina de ser o primeiro a pintar num lugar onde ninguém imaginava (ou teve peito), a campanha #PXENOMIS tem outro motivo. Desde o início das obras do museu em Copacabana, o bairro onde vivo e que concentra grande parte da minha arte, venho cogitando o MIS como um lugar para minha primeira exposição individual. O primeiro passo já foi dado! ;)

 #PXENOMIS

"Considerando que o graffiti, desde que sem prejuízo ao patrimônio público ou histórico, sem cunho publicitário (ref. a marcas ou produtos), sem teor pornográfico, racista ou de outra forma preconceituosa, sem apologias ilegais e ofensas religiosas é reconhecidamente uma manifestação artística cultural que valoriza a cidade e inibe a pichação."

Faça um tour virtual pelo MIS e conheça o que está por vir!


 De qualquer maneira, o decreto 38307 está valendo!
Duas noites antes do "ataque" no MIS, pude comprovar sua eficácia...

Nsa. Sra. de Copacabana, entre Bolívar e Barão de Ipanema

"O guapuruvu" versão roots
Nsa. Sra. de Copacabana, na pracinha da Dias da Rocha.

PXE feat. DEL tha FUNKEe Homosapien



Agradecimentos a DEL (tha FUNkEe Homosapien), Sr.Antônio, Stephen Malkmus, ACME, Copacabana Art Lovers



08/03/2014

PXE: lançamento mundial....hahaha!


Maria e Joana, as criaturas mais lindas do mundo, me inspiraram 
a fazer um lançamento mundial, ou melhor, dois!






Baixe e viaje!

#pedradaGavea

07/03/2014

A maldição do bamba

O carnaval 2014 acabou oficialmente há dois dias atrás e em plena sexta feira chuvosa, me senti na obrigação de blogar. Pensei em fazer isso ontem à noite, mas comecei a estampar super inspirado, aproveitando algumas blusinhas da Galpão 51, que estavam há um tempo por aqui esperando uma tinta.



A inspiração foi tanta que a "Hindu Kush" #12 (a verde) foi vendida antes mesmo de chegar na Ultra 420, mas a #10 e a #11 seguiram seu caminho e ainda estavam lá até 17h. (Pode ser que já não estejam mais enquanto você lê esse post).

De volta ao Carnaval, aproveitei as ondas na frente de casa, ensaiando um retorno ao mundo do surf, iniciado alguns sábados atrás na Rocinha Surfe Escola. Saí de casa pensando num curso revolucionário de arte e graffiti e acabei surfando com a molecada da escolinha.

O Ricardo 'Bocão' da Rocinha, fundador da RSE e PXE
foto: Zack George

Depois do surfe, passei um exercício simples pra galera fazer em casa e pedi pra todos assinarem a primeira "folha de presença".

Outro assunto do dia era uma arte para a banda americana Slightly Stoopid, prestes a aterrisar no Brasil para uma mini tour na Região Sudeste (Rio, SP e MG). Incrivelmente, o Rio não ficou de fora!

Zack, um americano residente no Rio, fã das minhas artes e velho conhecido da Slightly Stoopid, fez a conexão. Mandamos um e-mail com algumas artes, eles curtiram. Comecei a rabiscar.

Caveiras, mulheres, maconha e praia são elementos quase obrigatórios em todas as artes feitas pra eles. Já que BH e Sampa não tem aquela vibe de Ipanema, decide optar por algo que representasse bem o Brasil além das belezas naturais: a caipirinha!



O primeiro layout acabou lembrando de certa forma, uma arte que eles haviam aproveitado pra usar aqui, e foi descartado. Resolvi ir além da caipirinha, acrescentando alguns clichês que reforçam a imagem do "turista", que vem ao Brasil achando que vai encontrar floresta e bichos em todos os cantos.






Com o conceito definido na cabeça, o maior desafio de todos era desenhar a caveira e sem modelo, tive de usar a imaginação e apelar para várias fotos da internet, pra construir cada pedaço. Depois dessa etapa, fiz a camisa e a câmera separadamente, trocando os hibiscus pela folha da maconha e utilizando a Canon F-1 da família, pra dar um toque vintage. Tentei desenhar as mulheres no copo original, mas diante do espaço reduzido, parti pra outra folha. A favela também desenhada à parte, encontrou seu lugar espremida acima do ombro esquerdo. Juntei tudo no photoxepa e pintei como se tivesse 6 anos de idade.

O melhor de tudo pra mim foi chegar nesse resultado, que apesar de surpreendente, parece não ter surpreendido a banda. Talvez tenha sido a falta de tempo, mas sem ter o que esperar, batizei esta arte com o nome "Caipirinha 220V" e publiquei ontem (06.03.14) na fanpage do PXE.

Carnaval 2011

E seguindo a tradição de Carnavais passados, muitas vitrines de lojas foram cobertas por tapumes em Copacabana e claro, eu não podia deixar que isso passasse batido. Resgatei os últimos mls de latex branco e fui até a Bolívar, relembrar a festa de 2011, quando lancei a arte "Vai e volta", inspirada numa lenda urbana.


Para o Carnaval 2014, troquei as caveiras pelas sereias. Ainda nos primeiros minutos, uma menina francesa falou que essa arte lembrava algo do Matisse. Falei que poderia ter me inspirado inconscientemente e emendei bem humorado: "Talvez eu fosse Matisse noutra vida. Mas eu não sou Matisse. Sou o PXE!"


Voltei pra casa lembrando de um som da Nayah, a música "Tudo que eu quero", um reggae bonito do último disco, "Siga o vento". Baixei o som, editei e publiquei o vídeo no mesmo embalo, antes de partir pra missão reggaera, com direito a um rolé (a pé!) pelo Catete, Glória, Santa Teresa, Morro dos Prazeres, Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e finalmente de volta pra casa. UFA!

"3 sirenas" by PXE


Agradecimentos: 
Bocão, Claudia Boddy, Zack George, Julia Chanin, Jane Belfort, Luan Rocha., Juliana Cazes,
NEW Modulados e Nayah



PS: é noise no instagram da Slightly Stoopid!

"Stoked to be in Brazil for a few shows. Killer show art from PXE"


Special thanks to Zack George and Slightly Stoopid

02/02/2014

Salve a arte urbana!

Dormi bem de sábado pra domingo, na esperança de sair pra pintar de madrugada mesmo, caso acordasse. Às 5:20h levantei, ainda sonolento. Já tinha todo o material separado, mas diminuí a quantidade de latas de 15 pra 5. Tomei um café rápido e saí de casa às 5:55, com uma mochila, uma escada e um balde de látex vermelho quase acabando. Atravessei 8 quarteirões (ou 1,4 km) em menos de 15 minutos, andando o tempo todo pela Barata Ribeiro e finalmente, entrando na Nossa Senhora de Copa pela Santa Clara, quando pude ver aquele colorido inspirador do Sol nascendo na praia.

Já no pico, encostei a escada e a mochila num canto e fotografei a parede. Numa questão de segundos, senti que era observado. Fingi que não era comigo (rs...), mas já me preocupava com qual desculpa daria pra iniciar a pintura. Por acaso, tinha algumas fotos de um graff recente de Ipanema e imediatamente mostrei ao segurança, avisando que eu iria fazer uma arte ali. Com um sinal de ok, parti com tudo e acho que, meio emocionado, peguei apenas os primeiros 15 segundos da ação- o tempo de subir os 5 degraus da escada com o balde na mão - que só fui descobrir depois do látex lançado....



Fiz a primeira marcação com azul escuro, corrigi os erros com latéx e praticamente redesenhei tudo do zero com outra cor. Por volta de 7:20, a arte já tinha uma cara, mas precisava de mais cores. Guardei a escada no prédio vizinho e fui em casa buscar mais latas, aproveitando pra tomar um café da manhã decente. Voltei com mais uma bolsa de lona, totalizando umas 15/16 latas/cores diferentes. Por volta de 9h, lancei um prata em volta da arte e depois, me dediquei a colorir os inúmeros círculos da arte enquanto centenas de pessoas passavam pela Nossa Senhora de Copa. Uma senhora me perguntou como eu conseguia fazer círculos tão perfeitos e acabou testando o spray pela primeira vez na vida, num canto da arte.

19 cores

Au revoir, Rio!
Fernanda e "O guapuruvu" sobre canvas

Outra me perguntou quem bancava todas aquelas latas e acabou conhecendo o “Guapuruvu” que foi pra Paris “in canvas”. Tirei foto com  turistas brasileiros e vi muitos flashes pipocando atrás de mim, acompanhandos dos mais variados sotaques. Conheci uma jovem francesa que já estava no Rio há 6 meses e morando em Copacabana, já conheci minha arte. Até dos ônibus que paravam ali perto, eu ouvia elogios. O mais engraçado é que não havia assinado, mas ouvi PXE da boca de 2 pessoas diferentes: uma amiga fotógrafa passeando com a família e um senhor de Copa (que me conheceu durante a realização da última arte), se declarou fã e ainda fez questão de rasgar o pequeno cartaz (Só Jesus expulsa...) que enfeiava a cena.

O reflexo da arte impressionava mais ainda

Enfim, tudo corria perfeitamente bem, até o aparecimento de uma menina que se dizia síndica e perguntava quem tinha autorizado aquela pichação no prédio de sua família. Enquanto isso, um rapaz que estava com ela, fotograva a arte...rs. Perguntei pra ela se aquilo era uma pichação mesmo e ela me respondeu “desenho”. (Foi aí que reparei o plástico filme no braço direito, provavelmente, uma nova tattoo. Por alguns segundos, me perguntei se ela sabia porque tinha uma tattoo no braço, se ela era verdadeira apreciadora da arte.) Voltando ao bafafá, falei com todas as letras que não tinha autorização, mas que tinha ouvido centenas de elogios, etc e ela era a única pessoa que não havia curtido. Prometi cobrir a arte com latéx e ouvi um “é isso que eu quero”, pois ela iria “alugar”a parede. Depois dessa, ela sumiu. Aproveitei pra assinar a arte, arrumei as coisas e ao sair, fui parado por 2 seguranças que surgiram do nada, mas nem tocaram em mim, pois avisei que iria resolver a questão na segunda, comprando um balde de látex e um corante. Ainda aproveitei pra deixar um recado pra "dona do prédio" tirar aquela tattoo do braço, pois ela provavelmente nem sabia porque estava usando...

Saí meio revoltado, mas rindo de tudo ao mesmo tempo. Gastei muita tinta, como sempre do meu bolso, e não completei a missão. Frustrante, mas...A recepção da notícia em casa também não foi das melhores.

Na praia, encontrei uns amigos do skateboard e trocando idéia, outro brother que nem conhecia, tocou no assunto do graff, também revoltado com a possibilidade de ver a arte ser apagada. Contei a história toda e foi aí que meu brother Maurício levantou a seguinte questão...

Por que o HSBC não aluga essa parede e salva essa arte?


E antes de partir pro latéx, resolvi dividir essa história com o resto do mundo, na esperança de salvar a arte. E acredite, você também pode ajudar, compartilhando esta história ou o álbum desta arte nas redes sociais com a tag #salveaarteurbana direcionada ao Banco HSBC. Se preferir, tire uma foto sua e publique com esta tag e não se esqueça de direcionar pra mim!

meu instagram/twitter: (@marciopxe)
twitter: @HSBC_Atende
facebook: facebook.com/HSBCBrasil

Dependendo do que acontecer, volto à parede pra finalizar a arte em vez de apagá-la pra sempre.

O guapuruvu by PXE feat. Lloyd Cole

Enquanto isso, baixe "O guapuruvu" em A4 (21x29,7cm) e divirta-se!


Pra fechar esse post, não podia esquecer do Street Art Jam Session - Surfrider Foundation Brasil, evento irado que participei na semana passada e como o próprio nome já diz, foi uma street art jam com nomes de peso da street art carioca em prol da Surfrider Foundation, uma das ongs mais importantes na lutas pelos oceanos e praias.


Idealizado pela Montebelo, a SAJS teve sua primeira edição realizada em Paris no ano passado e no Rio, contou com apoio da Conexão Cultural e ainda teve a participação do pessoal da Rocinha Surfe Escola. Num domingão clássico de sol, no Pontão do Leblon, pico de direitas cabulosas, eu e outros 5 artistas - Rafo Castro, Cela Luz, Marcelo Ment, Bruno Big e o "wildcard" Pedro PNG - fizemos intervenções com as maravilhosas canetas Posca, sobre fotos de surf impressas e montadas em telas. Infelizmente, nosso brother ACME não pôde comparecer. Em breve, todos os quadros das 2 edições serão expostos numa loja Osklen (em algum lugar da Zona Sul que não lembro agora) e serão levadas em seguida pra Viena e Berlim, onde acontecerão as próximas edições.



Street Art Jam_Surfider Foundation na Revista Surfar

 Street Art Jam_Surfrider Foundation no Waves

Clique na imagem abaixo para ver o vídeo do evento, filmado pela Manoela 
(de apenas 10 anos), irmã de PNG!

Agradecimentos:

Seguranças do HSBC Nossa Senhora 591, Sr. Adriano e o porteiro da manhã, Beatriz Martins, Virgínia, Maurício de Martino, Copacabana Art Lovers, Lloyd Cole, Fernanda Hinke, Raíssa Couto, Manuela Colombo, Demian Smith, ACME, Rafo Castro, Ment, Bruno Big, Cela Luz, Pedro PNG + Manoela, Bocão + Rocinha Surfe Escola e João Cezimbra.