18/05/2013

De Peugeot a PXE!


Até bem pouco tempo, bicicleta pra mim, representava aquele movimento de pernas que faço voando pra  pegar a bola no ar. Manobra que eu nunca vi meu pai executar, apesar de voar e amar bicicletas. Das teretetê às Caloi 10.

 A bicicleta na abertura do Ipanema All Teen aos 26 segs.

Meu irmão sempre viajou nessa mesma onda e agora, começo a entender a paixão pela “magrela”, apesar de nossa relação tragicômica...

Aprendi a andar numa bicicletinha que meu irmão usou. Talvez nos meus primeiros dias no Lins, numa tarde. Meu pai vinha na contenção até que eu entendi um jeito de começar sozinho e pronto, consegui. No dia seguinte, acordei cedinho pra dar um role de bike. Logo que comuniquei a primeira pessoa: “aprendi a andar de bicicleta!”, me distraí e arranhei o carro do pai de um amigo...OOOPS!

Arte em andamento que inspirou os graffitis abaixo

Graff realizado durante a ação "Que todos os muros virem telas" em Copacabana

PXE na Av. Atlântica - Copacabana

Anos depois em direção ao Grajauex (do Rio), topei de frente com uma moto. Na contramão, voei sob o guidon e quebrei o farol...Comecei aos 12 no skate. Até me divertia com uma BMX das clássicas com freio contra pedal. Mas só voltei a adquirir uma bike quando fui desafiado a subir a estrada pra Vista Chinesa, missão cumprida com sucesso no mesmo dia que saiu da loja, em 1992. Ainda dei uns rolés insanos com essa mountain bike pelo Aterro até esquecê-la e dar conta de seu misterioso sumiço. Puffffff!

Cheguei lá na Mesa do Imperador igual a um neozelandês, mas cheguei!

E muito próximo do Natal de 2012, ganhei uma bike pela pintura verde no armário de metal dos vizinhos. Ela chegou branca mas cheia de poeira, sem um pedal, de banco rasgado e pneus vazios. Depois dos primeiros acertos, dei um rolé na rua cantando "My ever changing moods", um clássico da banda inglesa The Style Council,  onde aparecem pedalando uma bike do mesmo estilo. (como o vídeo original não está disponível, ficamos com outra versão, sem as bikes!)

 
The Style Council - My ever changing moods

Ontem, depois de mais uma visita ao cicle e um rolé até o Dois Irmãos, dei uma geral com direito a banho e pintura nova (aguarde foto oficial).

Confesso que estou apaixonado...rs

28/04/2013

Open your eyes!

Ouvi Sunnyboys pela primeira vez em 1991. Nessa época, estudava no 3º ano e me preparava para as provas do vestibular. A fita k-7 (naquela época era assim!) compilava músicas do primeiro álbum, Sunnyboys (1981) e algumas do último disco da nova formação, Wildcat (1989).

 Sunnyboys, nº 37 entre 100 melhores álbuns da Austrália (100 best australian albums)


Na mesma época, conheci também o som do Spy vs Spy, que seria uma das primeiras bandas australianas a tocar por aqui, seguidas por GangGajang, Hoodoo Gurus, Midnight Oil, James Reyne (Australian Crawl) e Men at Work.

esq - dir: Richard Burgman (g), Jeremy Oxley (v + g), Big Bil Bilson (d) e Peter Oxley (b)

Acabei encontrando o primeiro CD do Sunnyboys numa locadora na Ilha do Governador em 93. E foi por ali mesmo que adquiri meus primeiros exemplares da melhor banda australiana de todos os tempos, na minha humilde opinião.

Sunnyboys - Alone with you 1981

A banda fez um "estrago" na Austrália durante os poucos anos de  vida nos anos 80 (1981-1984), retornando nos anos 90 sem muito sucesso. E pra surpresa de muitos, os Sunnyboys (da formação original) voltaram aos palcos no ano de 2012, no Dig It Up! Festival, comemorando 30 anos de carreira do Hoodo Gurus, sob o nome Kids in Dust.


 Sunnyboys - Dig it UP! Festival 2012

Como o som dos caras é totalmente "praia", utilizei alguns singles raros da coletânea "This is Real" para ilustrar a Pineapple Girl. E comecei a com música "Open your eyes"

"life is so beautiful, 
life is a dream, 
don´t let anyone put you down, 
when you re happy inside..."

\l/ Pineapple Girl by PXE feat. Sunnyboys

E como um fã de verdade, aproveitei pra agradecê-los, retribuindo a mensagem escrita pelo baixista Peter no compacto "This is Real", presente do meu amigo Ian. Só espero ter acertado a ordem dos componentes sentados no banquinho, já que os irmãos Oxley são muito parecidos, apesar da diferença de idade (isso acontece direto aqui em casa).


Se você gostou do som, clique na capa para comprar o disco, porque vale cada centavo.


E se você tiver a sorte de estar em Sydney entre 24 e 25 de maio, vá ao show!
Mais informações AQUI!



Baixe a Pineapple Girl AQUI!

13/04/2013

Duas telas com final feliz

O mês de março mal acabou e as artes vieram com tudo reforçando a idéia de uma exposição ainda neste ano. Pra falar a verdade, essa expo já vem sendo cogitada há tempos. Muito antes da era do spray, das agências ou do computador, afinal estudei na Escola de Belas Artes da UFRJ, onde aprendi quase tudo o que você possa imaginar relacionado à arte, técnicas, materiais, etc.

Voltando à expo, os primeiros vestígios surgiram em 2010, com a aquisição de vários suportes reciclados da obra do vizinho. Com o tempo, fui resgatando outras madeiras, portas e até telas, como essas duas que comecei a pintar no fim de março.


Essa belezura de 1,28 x 0,92m encontrava-se no corredor, praticamente me esperando. Depois, vim a descobrir que a artista se chamava SAX e era tia da minha vizinha. Levei pra casa, isolei a moldura e deixei o quadro encostado esperando a inspiração chegar.

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A atmosfera "deprê" pediu pra sumir e pra isso, escolhi a arte 'FUN', do meu segundo blackbook, originalmente criada entre fevereiro e março de 2008. A interpretação é livre mas a idéia aqui era "tirar um sarro com a própria cara e ainda rir disso".


Foram necessários 4 anos pra esse elefante ganhar uma versão gigante com direito a piercing nas ruas (Nossa Senhora de Copa, esq. Miguel Lemos). E mais um ano, pra virar tela.

"Fun" by PXE
1,28 x 0,92 m 
spray + nanquim sob tela

A segunda tela foi criada nos intervalos da "FUN". Com as inscrições "díptico 2000 - técnica: óleo, pigmentos e pó de ferro sob lona crua" na parte de trás e nenhuma identificação do autor, abandonada na rua mais movimentada de Copa, parecia um trabalho de curso que não encontrou a parede.


Sinceramente, olhei pouco pra pintura original e nem podia dizer se gostava, mas decidi manter algo dela. Resolvi usar a misteriosa sereia, originalmente criada entre março e abril de 2009, a 2ª arte que aparece no meu último blackbook. Provavelmente inspirada em alguma linda criatura que vi na água, local de algum point ali perto das Cagarras e frequentadora do Coqueirones (acabou me lembrando de Teresa, uma menina linda que conheci em Saquarema, há 20 anos atrás).

"The misterious mermaid" by PXE
0,80x 0,80 m 
spray + nanquim sob tela
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Demorei tanto pra postar que acabei começando 2 novas artes e uma delas é a "Smoking kills" , um alerta aos fumantes que descartam suas guimbas "envenenadas" em qualquer canto, servindo muitas vezes como comida para peixes e outros bichos. Esta é a última foto antes dos retoques.


"Smoking kills" by PXE

29/03/2013

Albert Einstein no RAPRJ!

Já que a chuva não me deixou sair, o jeito foi matar a saudade do blog. Pra falar a verdade, já estava louco pra postar algo novo por aqui, mas andava ocupado, terminando a arte pro novo cd do rapper Essiele.
O disco, que se chamava "Eu não canto tão bem assim" até fevereiro e já tinha um layout praticamente pronto, mudou pra #outromundo. Confesso que gostei mais, afinal o moleque canta bem!




Com a mudança do nome, veio a mudança no layout e o Einstein na capa a pedido do próprio Essiele. Só me deu a liberdade de mexer nele, cabelos, olhos, o que desse na telha. Cacei as melhores fotos e viajei.



Achei que ficou difícil reconhecer o Einstein noutras versões e resolvi apelar pra foto mais batida, criando a versão RAP. Pra completar o cenário, trouxe a favela de volta, que mudou algumas vezes até a versão final que só foi concluída no penúltimo dia, com a adição da terceira folha.


 

Baixe o A4 aqui!

Os OVNIS chegaram pesado na continuação e pra complementar o clima de psicodelia, desci o braço nas cores, tentando manter o clima de preto/vermelho/branco, cores sugeridas pelo rapper. 

Baixe o A4 aqui!

É impossível não notar os olhinhos vermelhos, depois de tantas horas de dedicação!

Pra explicar essa capa, ninguém melhor que o próprio Einstein
"A imaginação é mais importante que o conhecimento."


09/03/2013

A invasão das sereias

E as sereias finalmente invadiram a cidade. Não, elas não saíram do mar, mas ganharam as paredes, na última arte realizada em Copacabana. Devidamente autorizada desde 22.02 (data que marca minha estréia grafitando as ruas), só comecei a trabalhar na obra no dia 27 e nos dois seguintes me dediquei intensamente, só parando com as águas de março que fizeram estrago por aqui. Como o sol não deu trégua depois da chuva, diminuí o ritmo, dedicando apenas algumas horas depois que ele passava no local.


No penúltimo dia, conheci a Luiza, uma menina que morava ali perto e vinha acompanhando  o desenvolvimento da arte. Dessa vez, ela veio conferir tudo "in loco" e pra não deixá-la só na vontade, dei-lhe a oportunidade de grafitar as bolhas. E acabou fazendo também a extensão do tubo do escafandrista. Nada mal pra uma primeira vez!




PXE by Zé Edimar

Ontem, fizemos os últimos retoques, cobrindo as bolhas e os peixes com pilot. Tivemos a oportunidade de conhecer Juan, um menino de uns 6/7 anos, que veio conferir nosso trabalho de perto enquanto aguardava o ônibus e que acabou interagindo na arte, cobrindo uma bolha entre as milhares existentes. Antes de ir embora, nos ofereceu bombons e nos convidou a grafitar na Rocinha. Ao terminar, fomos tomar o clássico açaí GG no Kicê e fizemos uma pequena tour pelo bairro, observando os graffs e conversando sobre arte, desenhos, etc...Meia hora depois, estávamos levando uma porta deixada no calçadão central da Atlântica para a areia da praia, onde Luiza, batizada LMAR (elimar), dava início ao seu primeiro grafite: uma caveira mexicana que ela já havia desenhado na própria camisa.

Por 2 horas, LMAR traçou e pintou tudo praticamente sozinha. E só entupiu 2 birros! Se tivéssemos com mais tinta e tempo, o resultado seria ainda melhor...


Gostou da arte? Baixe aqui!

Agradecimentos à Isabela e seu bonde, Luiza, Veterinária Cãopacabana e funcionários, Seu Everaldo, porteiros, síndicos e moradores do prédio vizinho. A galeria continua...

23/02/2013

Grafitando pela consciência no planeta

Ontem fez 2 anos que eu lancei minha primeira arte na rua. Era um domingo, exatamente 22.02.11. Tinha voltado de uma praia clássica, mas cheia de lixo. Naquela época, realizava 2 projetos de conscientização em Ipanema - Caraíva e Dia Histórico - e não entendia o porquê desse lixo mesmo com todas as campanhas que já vinhamos fazendo desde 2006.


Parei pra tomar um açaí e tive a brilhante idéia de pintar uma caixa de sinal, exatamente aquela da Miguel Lemos. Espreitei até a última gota de açaí e fui na DP da pracinha pra trocar uma idéia com o Nascimento. Passei em casa e catei umas 10 latas. Como fiz parte do G-80, já conhecia a emoção de usar um spray por aí, mas esta seria a primeira vez grafitando.

 


Antes de começar, passei na farmácia e avisei que iria grafitar e ganhei força da balconista. Montei a câmera e parti pra ação. A bateria acabou em menos de 5 minutos e acabei representando apenas 1 dos pássaros da arte "Harmony in my Head".


Enquanto pintava, um casal pediu pra escrever o nome deles. Mas só as iniciais entraram: R + L, exatamente as iniciais do meu pai e minha mãe. No dia seguinte, às 8h da manhã, iniciei a 2ª arte na rua, noutra caixa na Miguel, onde agora se encontra o Funkadelic Miles!


Apesar de não conter as preciosas imagens da minha primeira atuação na rua, o vídeo abaixo dá uma boa noção do que eu aprontei nos primeiros 2 anos de grafitti!

PXE: 2012 - 1974 feat. Budspells + Mc Hyjack

15/02/2013

Todo carnaval tem graffiti!

O Carnaval nem tinha começado, mas o ritmo já estava frenético. Depois de pintar o murão no Arpex na quinta, voltei na intenção de pegar uma parede lá dentro, só pelo prazer de pintar.

 Nata

Descartamos o pico ao descobrir que o buraco do portão encontrava-se fechado. Saímos de bike até Ipanema, onde fomos impedidos. Continuamos até a Gávea, onde iniciamos a pintura, mas logo fomos parados pelo GM, que apareceu nos primeiros rabiscos. Apesar de ser bastante educado, o GM não conhecia a lei do grafite e também não sabia diferenciá-la da pichação.


Cobrimos os rabiscos e tentamos mais 2 muros, pra finalmente chegar no Alto da Gávea, onde Ton e Ted já haviam pintado antes.

Com apenas 5 latas, estava preparado para lançar o "rato" do Ganesha. Como o original havia sumido, acabei levando um rabisco, copiado do blog. O resultado ficou bacana, mas longe do que eu pretendia.

 TED

 Bryan

 TON

Como a chuva parou de vez na sexta, dei início a uma nova pintura em Copa, lançando a arte "Acordando", que acabou incompleta, porque o tapume em cima do muro fazia parte da obra vizinha e sem autorização, tive que parar.



No domingo, iniciei outra pintura em Copa, mas mal saí do esboço. O vigia da rua, que não sabia a diferença entre grafite e pichação, conseguiu me parar com a ajuda da GM. No dia seguinte, voltei pra pedir autorização à síndica do prédio, que me pediu pra cobrir o que estava feito, pois ela achava que os pichadores iriam vandalizar o resto por causa do meu grafite....tsc, tsc.


 
"A invasão das sereias" by PXE
Baixe o A4 aqui!

Como era Carnaval, algumas lojas estavam cobertas por tapumes e pra não perder o costume, voltei ao mesmo pico onde peguei minha primeira "parede" há 2 anos atrás. Mesmo sabendo que a quarta de cinzas estava bem próxima, mandei bala!



"The Yell" nas ruas. Gone by wed...

"The Yell" by PXE
Baixe o A4 aqui!
 
Não tenho muita vocação pra folia, mas fiz questão de comparecer ao desfile da Orquestra Voadora e na quarta, encontrei as últimas energias pra me acabar de dançar com o Digital Dubs na rua, fechando o carnaval 2013 com chave de ouro e muito graffiti!

07/02/2013

Chess FIGHT!

O dia começou tenso, com ajustes na camisa da Rihanna (que tá bem legal!) e um grafite pra tarde. Antes passei na parede pra bolar a arte com meu brother Bryan, representante da família Nata. O moleque é solto no desenho, tá começando a grafitar e destrói no stencil, técnica que projetou o renomado artista inglês Banksy.

Foto: Daniel Gurjão

De volta ao Arpex, encontramos essa parede com uma arte minha, bem simples. Os 15 dias de vida dela se estenderam por mais de 3 meses e desse jeito, achei que merecia fazer algo novo. Nos encontramos pra fazer um estudo, usando "personas" e sabendo disso, já cheguei com uma idéia na manga. Como o escafandrista já estava na parede, sugeri uma partida de xadrez no fundo do mar contra Netuno, cavalos-marinhos no lugar das peças e um tabuleiro emendando com a vista do Dois Irmãos / Pedra da Gávea, olhando das Pedras do Arpoador.

 antes das 10h

 depois das 10h


A idéia foi bem aceita, mas trocamos os personas de lado. Só deu tempo de ir em casa almoçar, preparar o material e tentar convocar um fotógrafo, que no caso, foi muito bem substituído pelo cineasta Sid Dore, que eu conheci durante as gravações do seu documentário sobre arte urbana.

O nome é "Intervenha Aqui. 
Aperte o play! 

O time estava formado e por volta de 14h, já chegamos chegando. 
Essa era a terceira vez que grafitava com o Bryan. A primeira foi uma estréia pra ambos, na invasão cultural no Complexo do Alemão (com AV.) e a última, no show do Oriente no Toaureg em Vargem Grande.


Siga a sequência!

 
 
Sentimos falta de um azul pro mar, mas podemos dizer que a arte está quase finalizada, mas sem nome definido. Como são 3:20 da manhã, vou tentar acordar logo mais pra dar o último grau.



Agradecimentos:
Bryan "Nata", Sid Dore, Caio e Rafinha

PS: em menos de 24 horas, Sid conseguiu filmar e editar o vídeo com a prometida trilha sonora de Funk Como Le Gusta + Black Alien x Speed + Max B.O...PRESS PLAY!