1 de jul de 2015

Insert coin...

Há duas semanas atrás, recebi uma mensagem do MC Folha Seca, me convidando pra fazer a arte pra capa do seu disco solo e do 3º single, a ser lançado ainda naquela semana. Pra quem não conhece, FS é o Rafo, integrante do grupo de rap Camaradas Camarão e um dos organizadores da Roda Cultural deBotafogo, movimento que virou referência e se alastrou pelo resto do Estado, projetando vários nomes na cena musical.

Muito antes desse convite, já tinha tido a chance de ouvir o disco recém gravado, quando conferi faixa a faixa, pra fazer a arte do 1º single e da capa. Fiquei bastante impressionado com todo o material que ouvi e muito feliz em fazer parte daquele “projeto”.

Folha Seca - Catch a fire

Pra já, teríamos o lançamento do 3º single, chamado “Insert Coin”. Rafo tinha uma idéia inicial relacionado a um game e deu como referência o jogo Marvel x Capcom, que eu não conhecia. Depois de uma breve pesquisa, fiz o primeiro rabisco da “tela” de um game de skate, com a clássica paisagem de Botafogo, cenário que sempre fez parte da vida de FS.


Apesar de curtir, Rafo sugeriu que tal tela estivesse “inserida” numa máquina com o nome RAP, dentro de uma cena num fliperama com dois personagens centrais: “um menor botando uma ficha de humilde e um outro personagem esperando a de fora com um sacão lotado de fichas, na verdade, um porco engravatado fumando charuto”. A viagem era perfeita e fui desenterrar momentos de minha juventude em fliperamas do Méier, que costumava freqüentar depois das aulas.



Na praia, trocamos uma nova idéia sobre a arte e em vez do game de skate, Rafo sugeriu um de luta, nos moldes do clássico “Street Fighter”. O som seria lançado pela própria fanpage, mas sugeri a criação de um evento, pra convidar os mais chegados, apostando na propaganda espontânea, devido à qualidade de todas as artes envolvidas. Pra mostrar que não era qualquer um fazendo qualquer arte, pedi pra ele me “apresentar”, fazendo um “release” sobre mim com suas próprias palavras.
 
Mandei um novo rabisco da cena no fliperama e aos poucos, fui lapidando até chegar ao resultado final, desenhado em 2 páginas de A4 coladas. Pro game, desenhei o cenário com o Pão de Açúcar e os dois personagens que lutariam, sendo um deles, o próprio Rafo, baseado numas fotos tiradas meses atrás. 


Choveu no meio da semana e o Rafo apareceu aqui no studio, trazendo o seu disco. Pra agilizar as artes que seriam usadas na animação, deixei ele se divertir no photoshop, pintando Botafogo. Aproveitando sua presença, pedi pra ele colorir seu personagem, com uma marcação básica de suas tattoos, que acabei refazendo depois. Cientes de que ainda haveria muito trabalho pela frente, jogamos o lançamento pra semana seguinte.

 
Com as telas prontas antes do fim de semana, minha nova preocupação seria animar tudo, com qualidade digital. Baixei alguns programas na tentativa de converter o filme, depois tentei baixar outros programas de edição de vídeo, sem sucesso, já que uso uma relíquia que me deixou na mão dessa vez. Comecei a ficar preocupado...

O universo é cheio de surpresas e numa dessas, consegui um laptop pra fazer o filme com um amigo que passou correndo na praia e chegou a conhecer o Folha Seca rapidamente, depois do nosso brainstorm. No dia seguinte, encontrei- o no trabalho, depois de subir algumas cenas pro primeiro teste. Aprendi algumas noções básicas do programa, salvei o primeiro filme e mandei pro Rafo. No fim de tarde, adiantei todas as telas necessárias pra tentar animar tudo no sábado, com a ajuda de Zack, que acabou indo pra outras bandas, depois de deixar seu laptop comigo.

Tomei umas surras no começo e em vez de criar um arquivo novo, usei o primeiro de todos. Tentei aprender algo mais assistindo a tutoriais, mas um deles, só me ajudou a lembrar de usar o mouse, que adiantou bastante o processo. Pra não ficar muito repetitivo, pensei numa nova cena de bônus, com o “Rafo” andando de skate. Salvei uma nova versão e mandei o link pro Rafo durante a madrugada. No domingo, refiz algumas cenas, trabalhei as telas de entrada que incluíam alguns personagens citados na música  (Stallone, Bruce Lee, Dolph Lundgren, Chuck Norris entre outros) e à noite, já tinha uma versão final, que acabava uns 20 segundos antes do fim da música.

O Rafo apareceu de novo por aqui na segunda de manhã pra subirmos o clip e nos 45 do segundo tempo, fizemos novas alterações na animação, repetindo algumas cenas pra preencher o espaço vazio no final. Salvamos a última versão e subimos o clip, além de propagar o mesmo através de suas mídias. Alguns segundos depois, a Internet caiu de vez, já que funcionários da NET iniciavam a manutenção da rede no prédio. Missão cumprida, no tempo que tinha que ser...


Folha Seca - Insert Coin


Agradecimentos especiais aos brothers Folha Seca e Zack George


22 de abr de 2015

Nos tapumes da vida


Conheço poucos grafiteiros que dão alguma importância a um tapume. A maioria só gasta tempo e tinta no que pensam ser eterno, mesmo sabendo que a arte é passageira. No meu caso, independente do tempo de exposição, um tapume é uma parede e se der mole, vou chegar pra grafitar.


 Algumas semanas atrás passei pelo maior tapume que já vi nas ruas de Copacabana, uma estrutura de aproximadamente 5 m de largura por 13 de comprimento e uns 3 de altura. Ao ver pela primeira vez, imaginei que o cobririam de adesivos (um desperdício, algo nada ecológico!) e esperei. Passei de novo por lá na semana seguinte e só havia um adesivo grandão tomando a menor face, voltada pra Nossa Senhora de Copacabana, enquanto a lateral gigante permanecia virgem exceto por algumas pequenas pixações. 

 
Enquanto o povo saía pra afogar as mágoas na noite de sexta, eu andava em direção à Santa Clara, levando  mochila com algumas poucas tintas, látex, rolinhos e pincel, além da escada debaixo do braço. Ao chegar no pico, joguei tudo no chão, pra preparar a primeira cor. Das três artes que levei, escolhi a mais complexa e que ocuparia mais espaço no tapume, que foi tomando forma rapidamente, enquanto algumas pessoas paravam pra observar/ fotografar. Uma menininha de uns 4/5 anos  postou-se diante da arte para um registro e ao perceber, tirei a escada da frente, deixando o cenário limpo. Perguntei se ela sabia desenhar um peixe e sem titubear, respondeu que sim. Com o rolinho cheio de tinta, desenhou seu peixe que mais parecia um símbolo de infinito, numa tacada só, parando apenas pra acrescentar o olho com um ponto. Foi andando em direção ao pai e logo voltou pra agradecer. Continuei pintando e a arte já ocupava mais da metade dos 14 metros de tapume.

Os amigos do Digital Dubs passaram pela Santa Clara e pararam por um tempo. Alguns dias antes, “Nos porcos não creserão asas”, um clássico dos bailes soundsystem fora apresentado na forma de clip, com o cantor Jeru Banto, colando cartazes por toda a cidade e meu nome aparecia numa das cenas da praia de Copacabana.

#Nosporcosasasnãocrescerãojamais

A galera saiu e dois moleques de rua se aproximaram pra ver a arte. O mais novo todo empolgado, foi contido pelo mais velho e os dois sentaram-se nos cilindros de cimento da esquina e de vez em quando, trocava uma idéia com eles. O spray de contorno acabou e tive que partir pro plano B antes do esperado. Um moleque de Sampa perguntou se podia trazer umas tintas pra pintar um “grapixo”, uma mistura de letras, cores e sombras, que chamamos de “bomb” por aqui, apontando sua pixação numa porta de loja do outro lado da rua. Como não havia assinado ainda, aproveitei o espaço que faltava pra mandar meu tag em letras garrafais, ocupando toda a lateral do tapume. Se o brother de SP aparecesse, poderia pintar a outra face. O clima estava bem tranqüilo...


 PXE por Gabi (instagram.com/mexiasgabi) 

Uma confusão rolava na esquina e só ouvíamos o barulho, até que um cidadão visivelmente alcoolizado dobrou a Santa Clara, depois de ter quebrado uma lixeira e despejado lixo dos sacos que aguardavam a passagem do caminhão da Comlurb. Esbarrou no mais velho dos moleques, enquanto “emitia” uns sons em português ruim. Quebrou a segunda lixeira, jogando pra cima deles com violência.

Tentamos forçá-lo a sair nos gritos de “VAZA”, mas o cara relutava, enquanto seu amigo não movia uma palha. Conseguimos distanciá-lo alguns metros, mas ele voltou, depois de danificar um orelhão, trazendo consigo o gancho enrolado nas mãos, atrás dos moleques. Quando ele se aproximou de mim, pensei em jogar em cima dele o copo de látex preto que segurava naquele momento, mas corri em sua direção, que soltou o gancho e foi embora de vez, com um belo chute na bunda.



Os moleques aproveitaram o embalo pra sair também e a polícia, só apareceu meia hora depois, pra perguntar alguns detalhes da arte que eu fazia. Lá pelas 2h da madrugada, recolhi meu material, andei diante daquele imenso tapume, contando os passos largos. Tirei as últimas fotos e recarreguei as baterias noutra esquina bem perto dali.

 
Duas noites depois, já estava de volta às ruas. Em Ipanema, depois de lançar alguns tentáculos e arrancar quilos de cartazes, deixei um bomb pra voltar em breve. Acabei tirando os dois dias seguintes pra descansar e apenas acompanhei minha amiga Luiza, que ainda tinha suas 4 MTN 94 quase novas porém sem birros, depois dos primeiros graffitis que fizemos 2 anos atrás. Enquanto ela desenhava uma sereia, eu misturava o látex pra complementar nos preenchimentos. Descemos por volta das 21h, mas ainda voltei em casa pra pegar os birros e a escadinha.



O plano era pegar um espaço num tapume de obra na Rua Bolívar, que eu já havia pintado algumas vezes (acima). De longe, pudemos ver o segurança do lado de fora e mesmo com uma arte minha gigantesca naquela parede, não teve “desenrole”. Com a primeira cor já misturada na bandeja, partimos pra parede branca mais próxima, a de um banco na rua principal de Copacabana (essa aí do vídeo abaixo)


 
Luiza subiu na escadinha pra rabiscar os primeiros traços. Um casal parou pra olhar e parabenizou o trabalho. Apontei minha arte de longe e a moça lembrava de outra, bem perto dali. Em seguida, uma senhora parou pra conversar conosco, dizendo que gostava muito do que fazíamos pela cidade, mas sentia uma certa “falta de reconhecimento”, o que eu rebati dizendo que se ela reconhecia, já estávamos felizes.


 Nossa felicidade durou pouco, com a chegada de uma viatura, após denúncia de pixação. Tentei argumentar, mas acabamos dando um rolézinho até a 13ª DP. Os policiais de plantão já nos esperavam na entrada, onde conversamos um pouco e pude explicar quem eu era e o que fazíamos. Entramos pra uma breve verificação, constatando que nossas fichas estavam limpas. Saímos ilesos, mas avisados a não voltar na “cena” do crime. Luiza, visivelmente abalada, só queria voltar pra casa. 

Acabei a convencendo a lançar a arte de qualquer maneira, pra se livrar daquela má impressão e nos dirigimos pra Ipanema, onde havia um tapume legalizado, com uma arte minha e do brother Ogee, da Inglaterra. Entre o dog Pepe e o Afroman, surgiu uma sereia. 

 
Fui dando alguns toques e quando encontrei tempo, ocupei a lateral com alguns tentáculos. Os 4 birros que levei entupiram rapidamente e grande parte do que Luiza fez, foi no pincel/rolinho. O que sobrou da tinta, usei pra ocupar os últimos espaços brancos com triângulos. 



Tirei as últimas fotos e voltamos felizes até Copacabana, pegando a Nossa Senhora, pra ver os tentáculos que dividiam espaço com a placa em homenagem ao Junior, ex-jogador do Flamengo.


Já na rua de Luiza, a chuva começou a cair. Me despedi dela e fui correndo pra casa...

1 de dez de 2014

PXE no MOF2014 - missão cumprida, com louvor!



Ontem foi dia de MOF – Meeting of Favela, um dos maiores, ou provavelmente, o maior evento de graffiti independente do mundo, e pela 2 ª vez estive presente. Comecei os preparativos na noite de sábado, segurando a onda em casa pra chegar bem. Mal dormi e por volta das 6h já tava de pé, partindo pro Jardim Botânico, onde encontraria a van que nos conduziria até Caxias. Por volta das 11h, já estávamos lá, encarando o sol que veio com tudo, indiferente ao casaco que só ocupava espaço na mochila.

  
Começamos subindo uma ladeira. Dois moleques da comunidade se juntaram ao nosso “bonde” e depois de verificar que andávamos sem rumo, conseguimos chegar onde tudo acontecia (subindo outra ladeira ainda mais íngrime..rs) com a ajuda dos “guias”.  Reencontrei o “Cabelo” e parte da “rapaziada” bebendo uma loura gelada em frente à arte que fiz na edição passada.


Chegando na quadra, fiquei perdido por um tempo esperando a galera se reunir pra iniciar as pinturas, mas já que ninguém chegava e nada me impedia, fui andando sozinho atrás de um pico sob o sol escaldante. Reencontrei a galera da van na mesma missão pelas ruelas e depois de algumas tentativas frustradas, me separei pra finalmente encontrar uma parede boa com um “plus”: na sombra!


A dona da casa queria uma imagem da Virgem Maria, mas acabou aceitando minha arte, quando viu o original. Fotografei a parede limpa e comecei a pintar, sem a preocupação de filmar. Dez minutos depois, ouvi uma senhora gritando lá da esquina: “Quem tá pintando na minha casa sem autorização?”.  Apontei o “JESUS” da casa ao lado, dizendo que não tinha mexido ali...rs. Infelizmente, a “treta” era comigo e Dona Noeli, filha da senhora que me autorizou, também queria a imagem da Virgem ou aceitaria algo que “dignificasse o nome da igreja”. Expliquei que ia pintar um “mergulhador” fotografando uma sereia (peito de fora...hum....), não convenci e acabei optando por cobrir meus primeiros rabiscos. Tentei, mas parei logo pra não gastar tinta nem desviar do foco, prometendo voltar.


Em cada canto, você via uma galerinha na atividade, viajando nos estilos mais variados. Encontrei o LEFE pintando “nas alturas” na rua de baixo, que já “tava em casa” e facilitou minha entrada no muro oposto. Dois grafiteiros da Zona Norte se juntaram a nós. Ikos lançou uma letra bolada na continuação da minha parede e Roma se “aventurou” no alto, lançando os rostos de Tupac e B.I.G.

 Roma

 O retratista by PXE

Arte pronta, todo mundo já relaxando pras festividades e eu me direcionando pra Rua Sepetiba. Da esquina, já via Dona Noeli e sua mãe, sentadas em frente à casa. Falei que tardava mais não falhava e ela disse  “que o irmão iria aparecer, Jesus não ia falhar”, depois de ter recusado várias propostas pra pintar sua parede, que agora tinha um extra de amarelo.

Tentei cobrir por um tempo, mas me convenci que seria melhor fazer uma arte pra elas. A virgem Maria foi a primeira cotada ( de novo), mas recusei explicando que não era minha praia, cada artista tinha um estilo e se dedicava a temas variados, que eu gostava de desenhar a natureza, árvores, etc. Ela se interessou por uma paisagem com árvore acompanhada de algum salmo e foi buscar uma referência em casa. Logo na entrada, vi um desses calendários de igreja com a imagem de uma pomba branca, que meia hora depois já tomava a parede. Tivemos um papo bacana durante todo tempo que estive lá, sempre tratado como “irmão”. Me ofereceram pipoca e refrigerante, que bebi no final, contemplando a arte sentado na rua, enquanto aproveitava pra comer pela primeira vez. 

PEACE!

De repente, um filete d´água caiu do céu, avisando que a caixa estava cheia. Uma língua se fez no chão, descendo a ladeira em minha direção, passando bem perto sem me atingir. Dona Noeli avisou: “Cuidado, irmão. Olha a água!” respondido com muito bom humor: “A água passou longe. Jesus tem poder!”. Me despedi das duas senhoras e desci a ladeira, com aquela sensação de missão cumprida. Fui pra festa, reencontrei toda a galera e zoei um bocado até umas 21h, quando juntamos o bonde da van. Quarenta minutos depois, estava descendo no BG, o outro lado da cidade, outra realidade. Todo pintado...

Agradecimentos a Bobi, Kajaman, Lua, Schwenk, Wilder, família Silva, famíla Torres, Dona Noeli e sua mãe, Fiuz, Lefe, o piloto e geral da van!     

27 de jun de 2014

Arte e fumaça, explanando geral!

Muita gente ainda torce o nariz quando o assunto é maconha (inocentes). Outros, nem querem saber (mais inocentes ainda) mas em contrapartida, muita informação é gerada nos dias de hoje, pra acabar com a ignorância generalizada, herança da falida guerra às drogas. Falando em informação, só nesta semana, colaborei com dois nomes da cena canábica carioca: o Jornal Canábico e a Revista Maconha Brasil. 

 

Marcha da Maconha do Rio de Janeiro 2014

A rapaziada do JC já havia me pedido um cenário algum tempo atrás, e finalmente saiu, no sábado passado. Passei mais de 1 hora no buzum,  pra ficar diante da melhor vista do Rio de Janeiro e algumas quadras depois, cheguei no estúdio. Fizemos a cabeça enquanto acertávamos os últimos detalhes pra pintura e munido de 10 latas e alguns stencils com a folha da maconha, fiz uma arte 100% freestyle numa parede virgem, enquanto tudo era registrado pela câmera do JC. Depois da larica, a noite veio e tive que arrematar a arte com a luz acesa. O resultado agradou a todos e surpreendeu ainda mais quando apagamos a luz. Só estando lá pra entender o que vimos. 

Baixe o wallpaper da parede toda 1680x1050 px:
http://www.mediafire.com/view/txqcmp3ay0ep52y/PXE_JC4.jpg


Abro o Comentando os Comentários de Junho e o JC estréia o novo cenário

A história da MACONHA (como muitos carinhosamente chamam a Revista Maconha Brasil) desenrolou num bate-papo durante o coquetel de lançamento da edição #1. Um dos editores da revista me pediu uma ilustração que mostrasse alguém cheio de idéias só de ler a revista, “a mesma chapação criativa despertada pela erva”, perguntei.

 Torrando com Tomazine #121 - lançamento da revista



Tirei uma foto minha de referência, mas só aproveitei a expressão/enquadramento e viajei no nonsense desde o começo, usando as luvas do Mickey no lugar das mãos (as roupas do Bob Esponja cairam como uma luva, mostrando o corpo inteiro do personagem e só vieram no layout final). O black power me fez lembrar de um personagem dos lendários Harlem Globetrotters e assim objetos de universos distintos, começaram a brotar da cabeleira de um cidadão inspirado ao ler a MACONHA. A escova de dentes foi incluída  porque além de ser importante na higiene pessoal, tinha a forma perfeita para preencher aquele espaço.



PXE x Slightly Stoopid

A Slightly Stoopid passou por aqui em maio e a convite de Zack (ou DJ Z), um amigo e fã de carteirinha da banda, fiz a arte do poster da mini tour brasileira. Como eu só conhecia um ou outro som, entrei no slightlystoopid.com e ouvi todos os discos. Um mês depois, Z trouxe toda a discografia dos caras (7 cds) e passei a semana inteira ouvindo a SS. Logo surgiu o concurso de estampas pra SummerSessions (uma turnê cheia de convidados de peso - StephenMarley, CypressHill e NOFX) com direito a um prêmio de 750 doletas e 2 ingressos.

Não me empolguei em participar inicialmente mas conferindo o nível das estampas apresentadas, vi que tinha alguma chance e voltei a ouvir aquela bateria de cds para criar uma estampa redonda, fechada com o conceito da banda. Já tinha percebido antes, mas foi nessa vez que me liguei que os caras tinham várias músicas falando sobre maconha, do primeiro ao último disco lançado. Isso me fez lembrar a quantidade de artistas que já falaram sobre o assunto abertamente, usando sua música pra espalhar uma imagem positiva da erva. Bob Marley, Ziggy Marley, Slightly Stoopid, Cypress Hill, Peter Tosh, Planet Hemp, Nação Zumbi, Marcelo D2, Sublime, Oriente, Cone Crew Diretoria, Cacife Clandestino, Ayahuasca, Cidade Verde, Mateus Pingüim, Camaradas Camarão, Seiva Roxa, Manu Chao e por aí vai...


SYSTEM
Brasil X JAMAICA!

O meu primeiro contato com a erva foi em SaQuarema, no começo dos anos 90, aos 17/18 anos. Fui surfar em Itaúna com os amigos e ao sair da água, me deparei com uma sereia deitadinha na areia. Trocamos uma idéia rápida e combinamos de encontrar na praia, para a queima de fogos. Exatamente à meia-noite, ela apareceu e nos beijamos pela primeira vez. Depois de um rala e rola básico na areia, voltamos pra encontrar a família dela. Um primo se juntou a nós e trouxe consigo um baseado molhado, trazido clandestinamente no carro do pai. Fomos pro Mauna Loa, um bar tradicional de Itaúna. Chegando lá, ficamos na praia e eles perderam um bom tempo tentando acender esse baseado molhado numa fogueira gigante, sem sucesso. Como eu não fumava maconha, não compreendi o sofrimento deles (rs) e a primeira vez foi adiada pro meu aniversário de 19 anos. Fumei pouquíssimas vezes durante a faculdade, mas fumei no clássico “bosque” e noutros lugares e ocasiões especiais, moderadamente. Só aos 32 virei maconheiro de verdade, aproveitando pra aposentar de vez velhos hábitos como beber álcool e refrigerante, comer carne e fast/junk food, etc. Comecei a freqüentar a Marcha da Maconha a partir de 2010 e desde então, tenho militado mais ativamente em prol da legalização dessa erva medicinal milenar, equivocadamente mal vista/interpretada nos últimos 70 anos.



Curti minha adolescência sem fumar maconha e acho que ela não fez falta alguma. Mas hoje, aos 40 anos, me sinto bem à vontade quando uso e mesmo sabendo que ela aguça minha criatividade, espero a inspiração surgir naturalmente.

Algum gnomo certamente sumiu com minha seda enquanto me dedicava a estas linhas, então vou aproveitar pra finalizar esse papo, parafraseando Pepe Mujica, presidente do Uruguai, primeiro país a legalizar totalmente a maconha.

“As drogas não são boas pra ninguém, mas é preciso legalizá-las”




O universo da MACONHA é infinito....

Esqueci de alguém?


Gaviotas (ou gaivotas). O último PXE nas ruas...
Baixe o wallpaper:
http://www.mediafire.com/view/sdemm1zhiczok1e/PXE_gaviotas_1680x1050.jpg



20 de mai de 2014

Desmascarando um gigante global

A história dessa arte começa muito antes de existir uma parede. Enquanto a obra rolava, um tapume preto cobria tudo. Lancei um graff que ficou até o fim, dando lugar a uma parede que não existia antes e que na minha visão, se tratava de um novo suporte para minha arte.


Algum tempo depois, descobri que aquele espaço se tratava de uma loja da Nike, ou um “Nike Space”, como canta o grande cantor/compositor/filósofo pernambucano Fred 04. Podia ser até da Nasa, eu ia pintar de qualquer jeito! Passei algumas horas antes de partir com as tintas e descobri uma “escolta armada”, encostada na parede. Não entendi o porquê daquilo tudo, mas adiei a pintura por um tempo, sabendo que a escolta não saía de lá à noite, independente do dia. Deixei de lado...

No Dia das Mães, passei ali por volta de meio-dia em direção à feira. Quando vi que a escolta não estava por lá, me apressei pra voltar naquela parede o mais rápido possível.

 

Por volta das 16:20, dei início à arte “O guapuruvu”, pela 4ª vez nas ruas. Utilizando rolinho e latéx, fiz a base pro spray. Nada da escolta, enquanto um ou outro parava pra ver, falar algo e fotografar. Três horas depois, já sem luz, passei em casa pra comer algo e pegar mais tinta. Voltando, a uns 100 metros do Nike Space, já conseguia ver o “bico” do carro, estacionado ao lado da parede.


No dia seguinte, passei na loja pra falar com o gerente. Fui atendido por outra pessoa e acabei mostrando o graffiti pra ele, que não havia notado ainda. Falei de mim e do meu trabalho, mostrei algumas artes minhas que havia fotografado indo pra lá. Ele até elogiou, mas disse que não poderia me autorizar, então saquei uma filipeta onde anotei as hashtags usadas pela Nike nos últimos dias (#Ouseserbrasileiro, #Arrisquetudo, #Arteataque) e falei:

  “Ousei ser brasileiro, arrisquei tudo e fiz um arte ataque aqui. Só fiz o que a Nike prega!”

Ele me olhou com um sorriso meio amarelo e disse que não era o gerente. Entramos de novo pra que eu pudesse falar com o verdadeiro gerente, mas ele seria entrevistado e logo viria a hora do almoço, etc. Preferi ir à praia e deixei pra resolver o assunto no domingo seguinte. Voltando à feira, encontrei a escolta lá desde cedo e minha arte, praticamente apagada, como se tivessem lixado a parede.

Uns dez dias antes, a própria Nike promoveu o evento #ArteAtaque, reunindo duplas de grafiteiros para pintar o Terreirão do Samba com o tema Samba x Futebol, com ampla distribuição de latas (100 por dupla) e premiação de R$ 5000.

Não estou revoltado por terem apagado minha arte, porque sei que isso faz parte do jogo. Mas ao mesmo tempo, consegui descobrir na prática que a Nike é uma empresa tão engessada quanto à padaria do Seu Manoel da esquina e que seus slogans inspiradores forjados a milhões de dólares por criativos, não refletem a atitude de seus donos e representantes.

Quando a loja fechar/acabar, eu volto pra lançar minha arte! Enquanto isso, divirta-se com o mais novo vídeo do PXE e a trilha sonora mais que perfeita de Mundo Livre S/A.


 Agradecimentos especiais a Mundo Livre S/A.


21 de abr de 2014

PXE no MIS Copacabana - testando a credibilidade do decreto do Graffiti #PXENOMIS

Acordei cedo no domingo de Páscoa disposto a pintar uma parede em Copa, sabendo que o estabelecimento mais próximo estaria fechado. Fui dar uma olhada antes e constatei que tudo estava aberto e desta forma, a probabilidade de ser impedido seria grande. Continuei andando até a praia e de longe, já avistei o escritório do MIS, aquele "barracão" roxo e lilás no meio da calçada. Taí um lugar que eu estava afim de pintar faz tempo e já tinha comentado isso com o ACME, na última vez que o vi. Saquei a parede de perto e já fui pra casa pegar as tintas. Quando voltei carregado com as latas, escada e todo equipamento na mão, já não me sentia tão tranquilo quanto antes. Dobrei a esquina e fui direto pra parede, encostei a escada e aproveitando a única sombra a uns 5 metros de distância, posicionei minha câmera.



Liguei e comecei a jogar o latéx na frente da lente. Tirei uma foto da parede ainda virgem e fui em sua direção com rolinho e bandeja na mão. Decidi desenhar apenas parte de uma arte recente, um pássaro que vejo bastante na Lagoa. Comecei por baixo, mas acabei logo subindo a escada pra ver até onde eu podia ir.


"Dois Zoin" by PXE
Baixe a versão A4 AQUI!

Os três primeiros minutos foram bons pra esquecer do mundo, mas o desenho era um borrão só...rs. Comecei a usar o spray, depois usei o rolinho pra acertar e acabei tomando quase toda a superfície roxa de branco, pra voltar no spray e lançar o rabisco definitivo. Saí de casa ainda nublado e nesta altura do campeonato, derretia de camisa preta sob o Sol escaldante.


 Gastei uma hora lá, deixando a arte pronta em preto e branco. A primeira parte da missão já tinha sido cumprida e por incrível que pareça, ninguém veio falar comigo.


Empolgado com tal façanha, perdi algumas horas criando um vídeo teaser. A demora pro almoço foi recompensada pela melhor lasanha da minha vida, com gostinho de vitória.


Acabei sequelando no horário e só voltei à noite, dando os toques finais no escuro, porque a luz mais próxima encontrava-se apagada. Já tava bonito, mas eu sabia que ainda tinha o que fazer e deixei pra voltar no outro dia...

Acordei cedo na segunda, tomei um café rápido e já fui pra parede. Quando dobrei a esquina, vi um carro parado bem na frente do graff. Como havia espaço pra colocar a escada, nem esquentei. Comecei a rabiscar com o pilot e logo surgiu um carão no portão ao lado. Dez segundos depois, veio o segurança com aquela ladainha de sempre sobre autorização. Falei que tava autorizado pela lei já que o barracão do MIS não era um patrimônio histórico. Visivelmente revoltado mas ainda gentil, o segurança me pediu pra descer da escada. Não consegui convencê-lo a fazer meus retoques e ainda ouvi do próprio que meu graff seria apagado. Acabei não tirando nenhuma foto boa por causa do carro, mas sem me abalar, voltei pra casa.

Depois do almoço, encontrei uma rapaziada mexendo no carro e pedi que chegassem alguns metros pra frente, me dando a chance de pelo menos fazer a foto. Troquei idéia com a galera da obra que estava por lá, fui parabenizado e fiz a foto que precisava. A verdade é que todo mundo curtiu, menos o segurança (outro), que falou que eu tinha que ter pedido autorização, blá blá, blá...Com os pilots na mochila, discretamente aproveitei pra lançar a data e hashtag #PXENOMIS

Voltei à noite, portando os pilots e fiz os últimos acertos, subindo direto na muretinha.


Além da adrenalina de ser o primeiro a pintar num lugar onde ninguém imaginava (ou teve peito), a campanha #PXENOMIS tem outro motivo. Desde o início das obras do museu em Copacabana, o bairro onde vivo e que concentra grande parte da minha arte, venho cogitando o MIS como um lugar para minha primeira exposição individual. O primeiro passo já foi dado! ;)

 #PXENOMIS

"Considerando que o graffiti, desde que sem prejuízo ao patrimônio público ou histórico, sem cunho publicitário (ref. a marcas ou produtos), sem teor pornográfico, racista ou de outra forma preconceituosa, sem apologias ilegais e ofensas religiosas é reconhecidamente uma manifestação artística cultural que valoriza a cidade e inibe a pichação."

Faça um tour virtual pelo MIS e conheça o que está por vir!


 De qualquer maneira, o decreto 38307 está valendo!
Duas noites antes do "ataque" no MIS, pude comprovar sua eficácia...

Nsa. Sra. de Copacabana, entre Bolívar e Barão de Ipanema

"O guapuruvu" versão roots
Nsa. Sra. de Copacabana, na pracinha da Dias da Rocha.

PXE feat. DEL tha FUNKEe Homosapien



Agradecimentos a DEL (tha FUNkEe Homosapien), Sr.Antônio, Stephen Malkmus, ACME, Copacabana Art Lovers



8 de mar de 2014

PXE: lançamento mundial....hahaha!


Maria e Joana, as criaturas mais lindas do mundo, me inspiraram 
a fazer um lançamento mundial, ou melhor, dois!






Baixe e viaje!

#pedradaGavea

7 de mar de 2014

A maldição do bamba

O carnaval 2014 acabou oficialmente há dois dias atrás e em plena sexta feira chuvosa, me senti na obrigação de blogar. Pensei em fazer isso ontem à noite, mas comecei a estampar super inspirado, aproveitando algumas blusinhas da Galpão 51, que estavam há um tempo por aqui esperando uma tinta.



A inspiração foi tanta que a "Hindu Kush" #12 (a verde) foi vendida antes mesmo de chegar na Ultra 420, mas a #10 e a #11 seguiram seu caminho e ainda estavam lá até 17h. (Pode ser que já não estejam mais enquanto você lê esse post).

De volta ao Carnaval, aproveitei as ondas na frente de casa, ensaiando um retorno ao mundo do surf, iniciado alguns sábados atrás na Rocinha Surfe Escola. Saí de casa pensando num curso revolucionário de arte e graffiti e acabei surfando com a molecada da escolinha.

O Ricardo 'Bocão' da Rocinha, fundador da RSE e PXE
foto: Zack George

Depois do surfe, passei um exercício simples pra galera fazer em casa e pedi pra todos assinarem a primeira "folha de presença".

Outro assunto do dia era uma arte para a banda americana Slightly Stoopid, prestes a aterrisar no Brasil para uma mini tour na Região Sudeste (Rio, SP e MG). Incrivelmente, o Rio não ficou de fora!

Zack, um americano residente no Rio, fã das minhas artes e velho conhecido da Slightly Stoopid, fez a conexão. Mandamos um e-mail com algumas artes, eles curtiram. Comecei a rabiscar.

Caveiras, mulheres, maconha e praia são elementos quase obrigatórios em todas as artes feitas pra eles. Já que BH e Sampa não tem aquela vibe de Ipanema, decide optar por algo que representasse bem o Brasil além das belezas naturais: a caipirinha!



O primeiro layout acabou lembrando de certa forma, uma arte que eles haviam aproveitado pra usar aqui, e foi descartado. Resolvi ir além da caipirinha, acrescentando alguns clichês que reforçam a imagem do "turista", que vem ao Brasil achando que vai encontrar floresta e bichos em todos os cantos.






Com o conceito definido na cabeça, o maior desafio de todos era desenhar a caveira e sem modelo, tive de usar a imaginação e apelar para várias fotos da internet, pra construir cada pedaço. Depois dessa etapa, fiz a camisa e a câmera separadamente, trocando os hibiscus pela folha da maconha e utilizando a Canon F-1 da família, pra dar um toque vintage. Tentei desenhar as mulheres no copo original, mas diante do espaço reduzido, parti pra outra folha. A favela também desenhada à parte, encontrou seu lugar espremida acima do ombro esquerdo. Juntei tudo no photoxepa e pintei como se tivesse 6 anos de idade.

O melhor de tudo pra mim foi chegar nesse resultado, que apesar de surpreendente, parece não ter surpreendido a banda. Talvez tenha sido a falta de tempo, mas sem ter o que esperar, batizei esta arte com o nome "Caipirinha 220V" e publiquei ontem (06.03.14) na fanpage do PXE.

Carnaval 2011

E seguindo a tradição de Carnavais passados, muitas vitrines de lojas foram cobertas por tapumes em Copacabana e claro, eu não podia deixar que isso passasse batido. Resgatei os últimos mls de latex branco e fui até a Bolívar, relembrar a festa de 2011, quando lancei a arte "Vai e volta", inspirada numa lenda urbana.


Para o Carnaval 2014, troquei as caveiras pelas sereias. Ainda nos primeiros minutos, uma menina francesa falou que essa arte lembrava algo do Matisse. Falei que poderia ter me inspirado inconscientemente e emendei bem humorado: "Talvez eu fosse Matisse noutra vida. Mas eu não sou Matisse. Sou o PXE!"


Voltei pra casa lembrando de um som da Nayah, a música "Tudo que eu quero", um reggae bonito do último disco, "Siga o vento". Baixei o som, editei e publiquei o vídeo no mesmo embalo, antes de partir pra missão reggaera, com direito a um rolé (a pé!) pelo Catete, Glória, Santa Teresa, Morro dos Prazeres, Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e finalmente de volta pra casa. UFA!

"3 sirenas" by PXE


Agradecimentos: 
Bocão, Claudia Boddy, Zack George, Julia Chanin, Jane Belfort, Luan Rocha., Juliana Cazes,
NEW Modulados e Nayah



PS: é noise no instagram da Slightly Stoopid!

"Stoked to be in Brazil for a few shows. Killer show art from PXE"


Special thanks to Zack George and Slightly Stoopid